Jalapão 2019

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Fervedouro Bela Vista - Jalpão 2019

sábado, 6 de março de 2010

Caminho do Itupava - Indecisão, Confusão e Sucesso


O histórico Caminho do Itupava, a nossa herança com os antepassados colonizadores do Brasil, mais exatamente ao sul, a estrada ou trilha que fez nascer o Paraná, ligar o litoral a Curitiba bem antes dessa última  ser considerada a capital do estado, a comarca, o único caminho original. Tudo isso está relatado no livro Os Caminhos  da Comarca de Curitiba e Paranaguá que está na Biblioteca Pública do Paraná e que já consultei.
Há tempos eu queria fazer essa trilha. Lembro ainda das primeiras informações que obtive nos anos 90, até conseguir ligar para o senhor Vitamina, na secretaria da cultura do Paraná, um senhor famoso e personagem das trilhas e montanhas da  nossa serra do mar, para saber se era possível fazê-la de bicicleta, quando ainda não tinha a "mountain bike" dos meus passeios de hoje. Total desconhecimento porque carregaria muito a bicicleta.
Depois vieram os convites, mas coincidiram com as viagens a trabalho e até uma má condição do tempo.
E finalmente o passeio aconteceu, depois da minha indecisão durante a semana, por causa da possibilidade de chuva. E assim mais uma organização do Heron, que dessa vez deu um  trabalho, que o leitor vai ler mais a frente.
Começamos nossa caminhada por volta das 8:00 h no posto do IAP em Borda do Campo, Quatro Barras - PR. A história do caminho está no endereço aqui clicável, e que usei um pouco para comentar com os caminhantes. A idéia era uma primeira parte até a Casa do Ipiranga, primeiro encontro com a estrada de ferro, e primeira parada para um lanche. 
Nessa primeira parte da trilha uma cachoeira, uma gruta e fotos próximo a trilha para o Pão de Loth, para então o inicio da descida da serra e o primeiro calçamento. Alguns escorregões (3) desse que lhe escreve como se avisassem: mais prá frente é isso, então lembre-se. Até então chegarmos a Casa do Ipiranga. 
Uma parada para diversas fotos das ruínas da casa e da hidrelétrica. O local e a história mais recente, dos passeios de trem, tudo isso me fez lembrar da música da banda Blindagem Lá Vai o Trem. Fizemos um lanche junto do pessoal do Roda Livre que encontramos nesse local. Logo depois  o Heron faria a contagem para continuarmos o caminho. A partir daqui começa uma confusão que chamei de Efeito Borboleta, que abaixo segue o relato.
" Enquanto fui fazer um pit-stop (avisado) próximo a ponte de ferro do Ipiranga, o pessoal voltava para a Casa do Ipiranga. Quando retornei encontrei o Giba (copeliano) que tinha avisado ao grupo que ele, eu e um baiano subiríamos um atalho para encontrarmos o pessoal na trilha para o Cadeado, bem próximo, era uma diferença de 300 metros. Subimos e esperamos o pessoal, que não aparecia, e pensamos será que já passaram e seguiram a frente. E fomos alcançá-los, mas não encontrávamos. Então voltamos até o Ipiranga. Lá encontramos o pessoal e o inicio da confusão. Havia um escoteiro (adulto) no grupo que havia saído na frente acompanhado de uma amiga, eu lembrava dele por causa do inicio do calçamento onde o pessoal começou a escorregar e ele estava bem a frente. Um amigo desse escoteiro achou que ele não havia chegado ainda ao Ipiranga e ficou uma discussão, porque eu era um dos últimos junto com a Estela e a Marcia além do Giba que fechava o grupo. Mas o amigo do escoteiro insistia que não, que isso não era costume do amigo e que havia algo errado e que ele ficou para trás. Nessa hora até uma fumaça na mata chamou a atenção. O que o Heron fez?  Voltou pela trilha para tirar a dúvida. Nisso o amigo do escoteiro que foi junto retornou e seguiria para a Passagem do Cadeado. Então esse grupo da casa do Ipiranga foi acompanhá-lo, logo a frente um outro grupo do Roda  Livre já havia saído. Passou uma hora de atraso em relação ao previsto para continuarmos. E mais uma vez para não ter dúvidas ficamos os mesmos por último. 
Seguimos pela trilha até atravessar um rio e chegar numa subida onde seguiríamos a esquerda. Nesse ponto 4 pessoas que estavam a nossa frente quase continuaram reto subindo um morro de terra (amarela). Saímos então pela esquerda. Pensei nessa hora que esse era um local  para confundir.
Assim  seguimos, contando piadas relacionando esse caso com  a série LOST, cruzando pequenos rios e seguindo o calçamento da trilha. Chamou-me a atenção que a altitude ainda não variava tanto, ficando próximo dos 800 metros nessa parte da trilha.
Ao chegarmos na Passagem do Cadeado uma foto que deu nome ao local e então o desnível. Encontramos os demais caminhantes no Santuário que haviam saído bem a  nossa frente, mas para surpresa faltavam aquelas pessoas que tinham saído junto de nós e que se distanciaram. Havia também um recado do escoteiro, colado junto ao monumento de Nossa Senhora do Cadeado, quando da passagem dele por ali.


Claro, era certo que o escoteiro estava a frente e que logo "ele" não teria problemas. Antes disso o Giba que estava conosco, recebeu as informações do Heron quanto a primeira confusão e estava vindo até nós.
Algumas fotos, auto-foto e continuamos a descida até o posto do IAP Porto de Cima. Uma descida forte no calçamento não permite vacilo porque é bem liso e não tem calçado bom para isso.
Passamos as pontes dos rios São João e Ipiranga, que sem as mesmas antes da restauração e com toda a chuva dessa temporada, seria muito difícil. A partir desses dois locais,  a Estela, Marcia e eu fomos ficando para trás por causa das diversas fotos, inclusive uma que espero balançando num cipó. Saímos então na estrada para Porto de Cima (liga a estação de Eng. Lange no sentido oposto). Fotos da serra, do rio,  uma boa foto de um cogumelo feita pela Estela. O desvio junto ao caminho para usina hidrelétrica do Marumbi (COPEL) e chegamos ao posto do IAP. 
Mais uma vez outra surpresa, faltavam chegar ainda 9 pessoas, então não éramos os últimos como se imaginava.  Onde estava esse grupo? Eram 18:15 h. Tinha gente perdida na trilha.
O nosso ônibus estava ali, mas só sairia quando os últimos chegassem, e parte do pessoal que chegou antes  pegou uma carona. Então nós três decidimos continuar caminhando até a Pousada e Restaurante Dona Siroba. Essa última caminhada foi cansativa, talvez porque não contava com ela.
Ao chegar na pousada diversas perguntas porque faltava gente. O Giba preocupado queria que eu voltasse, mas não tinha condições fisicas para voltar ao Cadeado. E fui tomar um banho. Até as 20:30 h ficamos esperando e o grupo apareceu. 
Lembra do relato acima sobre um ponto que poderia confundir. Pois o grupo que se distanciou de nós e mais o pessoal do Roda Livre haviam tomado esse caminho errado.
O Heron que estava voltando da primeira confusão, pois havia ido até próximo do caminho do Pão de Loth, encontrou todo esse pessoal que retornava a trilha depois de se perderem."
Assim depois de todas essas confusões pudemos jantar na pousada e encontrei o "professor Miranda" que é dono dali. Para mim antes de ele ser o presidente do Paraná Clube era o professor do CEFET-PR, nem lembrava mais que era dono da Pousada Dona Siroba.
Um instante de pedido de desculpa do escoteiro, que sem querer, gerou uma série de acontecimentos.
A chegada a Curitiba foi a 0:00 hora, duas a mais do previsto. 
Sabem que nem choveu ou teve pancadas como estava previsto, ainda bem.
Entre mortos e feridos todos se salvaram.




Constatações do blogueiro:

01 - Se a previsão é de pancadas de chuva no decorrer do período, pode ser que com sorte como a minha, não aconteça.
02 - Não tem calçado que não escorregue na trilha.
03 - No período de chuvas o espetáculo das cachoeiras é maravilhoso.
04 - Os meus joelhos suportaram a descida mais do que ouvi falar.
05 - Pouca gente conhece a história da trilha principalmente a Passagem do Cadeado.
06 - Muita gente faz a trilha e que os poucos que causam vandalismo fazem um estrago enorme nas placas, chão e construções.
07 - Que a ALL lavou as mãos quanto a preservação das contruções. A pior parte do privatização e do capitalismo selvagem.
08 - Sem a recuperação patrocinada pelo convênio Brasil - Alemanha só os mais aventureiros e fortes poderiam fazer a trilha.
09 - Quando estiver em grupo, fique com ele independente se você já conhece o caminho, para não gerar dúvidas de localização das pessoas.  Vale qualquer aviso de distanciamento até para "pit-stops".
10 - Por mais que alguém conheça a trilha passado um tempo ela fica diferente, porque caí uma árvore, desliza terra e isso causa algum desvio e pode confundir.
11 - Preservar a trilha e a mata atlântica que forma a serra do mar é muito importante pela  natureza e a história que ela representa.
 12 - Que esse relato foi tão longo pela série de acontecimentos além do passeio.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Salto da Fortuna - Morretes-PR


Saída as 7:00 h da manhã de sábado para uma caminhada na semana mais quente do verão 2010. O Heron havia organizado um passeio para o Salto da Fortuna, via caminho do Anhaia. A caminhada seria fácil ,se fosse só o percurso à partir do posto do IAP, ou seja 2 km. E a pouca noite anterior dormida que valeu a pena, depois de uma festa de dança de salão, que nas últimas horas quase não me deixou ir embora.
Mas para não ser tão fácil começamos a caminhar uns 12 km antes, as 9:30 h da manhã. Chapéu, óculos, protetor solar e roupas apropriadas e muita água e segue em frente. Ao meio-dia chegamos no posto do IAP para então subir um trecho de 2 km onde estão os oleodutos da Petrobrás. Junto a uma válvula do oleoduto, vespas. Eu passei desapercebido, mas a amiga Marcia que vinha atrás teve a recepção dolorida.
Um pouco mais a frente uma trilha a direita do que seria o Caminho do Arraial.
Atravessa um rio, molha, outros córregos, molha nem tanto, outro rio e estávamos na última parte num desnível de quase 300 m. E chegamos ao salto, belo, nos seus 50 m de altura e caudaloso depois de uma temporada de chuvas.
A água a principio fria, mas aos pouco acostumamos, e só com aquele dia de sol, para aproveitá-la bem. Atravessa o poço que ali se forma até próximo a queda e tenta parar lá com pouco apoio.
Uma hora de cachoeira e voltamos para até onde estava o veículo, próximo ao IAP (portão da Petrobrás), trocar de roupa  e  retornar. Estava tão quente que vestindo outra roupa, depois de se secar, eu estava pingando ou suando a cântaros. Depois a saída para o centro de Morretes para o almoço com  barreado no Restaurante Estação, próximo a praça da estação ferroviária. Mais ou menos assim, toda caloria gasta na caminhada foi reposta em dobro ou triplo. Às 17:30 h estávamos de volta no caminho para casa.
E assim foi um dia de passeio, na boa organização do Heron, num dos finais de semana mais quentes desse começo de ano. Tinha que ser numa Fortuna de natureza.

Notas: O Caminho do Anhaia é parte do caminho do Arraial, uma antiga ligação do litoral com a cidade Curitiba, que a BR-277 suplantou. No percurso existem alambiques de cachaça morretiana.  Melhores detalhes históricos podem ser vistos no livro Caminhos das Comarcas de Curitiba e Paranaguá, Julio Estrella Moreira, 1975 - Editora da Imprensa Oficial, na Biblioteca Pública do Paraná, além de outros bem famosos. 
Uma estrada apreciada pelos ciclistas de mountain bike um tanto audaciosos, sujeitos a esfolamentos, devido a inclinação de descida e pedras soltas, a partir da BR-277.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

7. Dia Circuito Vale Europeu Palmeiras a Timbó-SC


Sétimo e último dia do Circuito Vale Europeu.
A chuva do dia anterior havia atrapalhado o roteiro. Neste último dia com chuva ou sol teria pedal de qualquer forma.
Depois do café da manhã, conseguimos sair no horário mais cedo de todo circuito, as 09:30 h,. O clima do alto da serra tinha uma neblina, que depois virou numa garoa. Bem, pela primeira vez coloquei um abrigo de chuva para pedalar. Lembro de quando comprei a 7 anos atrás, na Alpamayo,. A dona de lá, Maria Francisca (Chiquinha) me disse que também usava para pedalar. Todo protegido assim seguimos o circuito serra abaixo.
Algumas fotos na descida até chegar no Rio Milanês, um rio tipicamente de serra,. Nessa descida a demora do Alan e da Sirlene; a bicicleta dela tinha afrouxado o guidão da mesa, teve sorte de não cair.  Em seguida uma  parada na ponte de madeira coberta, para um lanche e refrescar um pouco, porque o abrigo de chuva é bom, mas abafa um tanto, se você não molha da chuva, molha de suor.
Nas fotos um cachorro simpático e sem vergonha, só esperando um pedaço de lanche. E seguimos descendo acompanhando o leito do rio. Neste trecho a margem direita de quem desce é feita na maioria pelos carros e a da esquerda é a opção de bicicleta, por ser tranquila. Uma virada a direita e cruza o rio segue a esquerda, a direita e a última subida ingreme do percurso, 2 km e 200 m de desnível em direção a Benedito Novo.
Chegando a Benedito Novo o trecho passa para o asfalto, paramos na frente da prefeitura, e mais uma vez  no horário de almoço. Sem carimbo então. Seguimos em  frente. E puxa, meu óculos de sol, ficou no ponto de ônibus em frente a prefeitura, caiu do capacete quando tirava tudo para ir a  lá pegar os carimbos. Ficou para trás. Mais a frente uma virada a esquerda para rodovia Rodeio-Timbó. Nesse ponto uma bicicletaria num prédio mal conservado e estamos na percurso final, com ciclovia próximo a um parque e asfalto, mas antes um registro dos 300 km faltando 1 km para chegar no bar e danceteria Thapyoka as 14:45 h,. Um registro filmado do trecho final, que é atravessar a bela ponte sobre o Rio Benedito. Lá fomos bem recepcionados pelo funcionário da casa da Associação Vale das Águas. Falou que poderíamos tomar um banho no bar voltando pela ponte, já que estávamos em poucas pessoas, uma excessão. Voltamos a associação para pegar o certificado de conclusão do percurso. Aquele chope do inicio do percurso há uma semana atrás, não seria possível porque o restaurante Thapyoka, só abriria as 16:30 h. Um registro com foto de todos certificados e "simbora".
E assim completamos o Circuito Vale Europeu, o único verdadeiro roteiro que começa e terminha no mesmo lugar sem passar pelo mesmo local duas vezes.
Na volta para Curitiba saímos pela BR 470 em direção a Navegantes que estava congestionada. Na altura do trevo para Pomerode sugeri seguirmos para lá, com ligação a Jaraguá do Sul, afim de lnos ivrarmos do congestionamento. Esse percurso é mais agradável,  até sairmos na BR 101 no sentido São Francisco do Sul. Mais a frente depois de Joinville uma parada no posto Rudnick para um café colonial digno de um bom passeio.
Os meu agradecimento a Andreia e ao Lucas que enfrentaram o percurso no carro de apoio, ás vezes na velocidade de bicicleta, que não é fácil. Ao Alan e a Sirlene que organizaram o passeio, com provisões para lugares que não teríamos opção, todas as informações, mapas e altimetria. E ao Linhares com toda a sua experiência de ciclista (ex-speed), que volta e meia sumia na nossa frente. E a mim que tava um pouco desacreditado por causa do período das chuvas em  janeiro e que teve toda sorte de aproveitar as férias nesse desafio.

FIM


Clique nos slides para visualizar as fotos.

Constatações do percurso:

01- Subida é ruim, difícil, as mais íngremes tem que empurrar, mas ruim mesmo é paralepípedo, e tem muita rua assim nas cidades do percurso.
02- Carimbo do passaporte em prefeitura é  difícil, porque está sujeito aos horários e finais de semana, que não tem como pegar.
03- Se existe um período ideal para pedalar sem chuva, não vai ver o espetáculo dos rios caudalosos, como foi esse janeiro/2010.
04-A organização do Circuito Vale Europeu é de grande profissionalismo e os organizadores contam com serviços do SEBRAE sobre turismo.
05-Alguns comentários da internet falaram das dificuldades em Palmeiras por causa da pousada. Eu tenho uma opinião pessoal. Por ser o último ponto de parada do percurso, as pessoas não vêem a hora de terminar, assim o ânimo não é o mesmo do ínicio, ainda mais depois de ficar numa bela casa em Alto dos Cedros, e assim fica a impressão que não deveria ser tão ruim. É claro que quando a pousada está cheia de viajantes não é fácil, mas todo lugar cheio é ruim, que não foi o nosso caso. Lá fomos bem atendidos e não há do que reclamar. Sei que o dono do restaurante não quer mais fazer parte do roteiro, e acredito que não há outra opção.
06- Festa alemã em Pomerode a partir da 2. quinzena de janeiro, vale muito. Mas os hotéis e pousadas ficam lotados e o preço dobra.
07- Comi muito pão com linguiça mista nos cafés da manhã.
08- Nas descidas tem atrações e pode-se passar desapercebida.
09- Mochila de hitradação faz muita diferença durante tantos dias.
10- Um veículo de apoio ajuda muito, porque bagagens na bicicleta devem pesar bastante e não levam tudo.
11- Abrir mão da câmera fotográfica, quando a subida é difícil ou está chovendo pode perder uma foto interessante. 
12- O percurso do 3. dia é mais curto por causa das atrações locais  de Rodeio-SC, mas dormir na Fazenda Campo do Zinco próximo a cachoeira é uma atração a parte. 
13- A bicicleta não é mais a mesma e na volta precisa de revisão. 
14- O total do percurso são 291 km conforme as planilhas, mas como eu não parava ao chegar nos destinos, e o desvio para cachoeira do Zinco aumenta o percurso, rodei um pouco mais e apesar do transfer em Alto dos Cedros fizemos 301 km.
14- Escrever é um exercício que não se deve abandonar, volta e meia acho alguns erros que corrijo, mas sempre aparecem (nascem) novos, e se o leitor estranhar algo ou tiver alguma dúvida, porque está um tanto resumido, mande um email no blog do dia. 

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

6. Dia Circuito Vale Europeu Alto dos Cedros a Palmeiras

Dia de chuva vale a pena pedalar?
Logo cedo estava torcendo que o clima de umidade da serra fosse passar e o roteiro seguisse normalmente.

Mas já saindo pro café a chuva começava e nem o retorno de barco pelo lago seria possível. A decisão do grupo então foi fazer um transfer para Palmeiras, mas antes teríamos que ir a Rio dos Cedros numa bicicletaria para consertar a roda do Alan e colocar um pneu novo. Almoçamos por lá e subimos a serra para localidade de Palmeiras, no caminho o Rio Milanês que encontraríamos no dia seguinte. Nessa subida me chamou a atenção os condutos forçados que trazem a água para as turbinas das usinas na região, vinda das represas que conhecemos em Alto dos Cedros e Palmeiras. Eu estava em dúvida quanto a pousada Palmeiras, de tanto que falaram e escreveram na internet.
Na chegada no restaurante e pousada Palmeiras deixamos nossas coisas, montamos as bicicletas e aproveitamos que a chuva parou e fizemos 7,5 km no sentido oposto que seria a chegada de Alto dos Cedros, para algumas fotos também.
A noite no jantar fiquei procurando a tal da Fukafuka na prateleira do balcão. O rapaz lá disse que é uma bebida ruim, de raiz forte e ninguém pede. Pude ver pela garrafa sem abrir. Mas se na cachoeira Véu da Noiva não tinha porque consumiram tudo, porque seria tão ruim? Não valia a pena abrir para uma pessoa. O rapaz então ofereceu uma batida de maracujá tipo aquelas dos restaurantes de Santa Felicidade - Ctba.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

5. Dia Circuito Vale Europeu Dr. Pedrinho a Alto dos Cedros


Depois de tudo limpo, um bom café da manhã, lanche para viagem e pegamos o primeiro carimbo na prefeitura e outro no café ali próximo e seguimos  o roteiro. A saída era a mesma da chegada com placas da primeira atração  a Cachoeira Véu da Noiva, a 10 km. No caminho junto a outra placa de indicação da cachoeira o odômetro marcou 200 km como pode ser visto nas fotos. 100 km na saída de Indaial e 200 km agora em Dr. Pedrinho.
Chegando lá um bar, um galpão e uma pista de bocha, mas sem desafiantes dessa vez. Me chamou a atenção os cartazes com a bebida Fukafuka, em falta, que no blog do próximo dia em Palmeiras vai ter um comentário a parte.
Algumas fotos e um video da cachoeira e partida para Alto dos Cedros, na expectativa de atravessar de barco o lago da represa.



Clique no slide para ver as fotos.

Durante o percurso o tempo começou a fechar. No km 17 uma saída a direita com subida. Neste ponto eu e o Linhares ficamos esperando o Alan e a Sirlene, porque tinhamos aproveitado a descida. A espera demorou e aí apareceu um problema que no blog de Indaial foi comentado do conserto da bicicleta em Rodeio. O freio de trás estava pegando no pneu desgastando até a câmera, que furou espontâneamente quando era empurrada. Esse problema iria perdurar até sairmos de Alto dos Cedros. Após a subida em meio a região de reflorestamento descemos até chegar a um rio, sem ponte. Atravessá-lo de bicicleta sem molhar era possível, mas vai que escorrega. Molhei um pé. Segue a frente outro rio, mas esse eu atravessei. Uma porteira e o nosso carro de apoio do lado da estrada na lama. A Andreia foi abrir a porteira e ao sair do carro o mesmo voltou de ré com o Lucas dentro, porque o freio de mão não estava pegando bem, prá sorte  parou na lama.  Logo chegaram Alan e Sirlene que ao atravessar o rio de  bicicleta  escorregou e caiu. Era arriscado mesmo. Começava a chover e fomos nos esconder numa propriedade ali perto, na cobertura para o gado que antes existia, mas segundo o dono foi substituído pelo cultivo de eucalipto. A bicicleta do Alan furou o pneu de novo pelo mesmo problema. Ele colocou no carro e pegou da Sirlene que seguiria de carro depois do susto na porteira.
Esperamos a chuva diminuir e seguimos em frente, a 15 km nos aguardava o Raulino Duwe no horário das 16:30 h. Com o aumento da chuva, fizemos uma descida correndo, que subiu lama até atrás do meu capacete.
Chegando lá encontramos o Sr. Duwe que nos aguardava desde as 2 horas com seu filho e sobrinho, porque aproveitariam para pescar.
Segundo o sr. Duwe, com a chuva, atravessar de barco era arriscado, eu não sabia se seguia de bicicleta ou pegava o carro porque estava bem enlameado. Peguei carona no fusca, quanto tempo não andava de fusca. Detalhe esqueci de tirar a camiseta que sujou o encosto, já que o assento estava protegido pro uma toalha. Desculpe seu Raulino. Ainda bem que o encosto era antigo de capa de couro sintético.
O jeito foi seguir de carro os 7 km de altos e baixos até a casa onde ficaríamos. Aproveitei e levei a bicicleta para lavar na casa dos Duwe e deixá-la para o dia seguinte. Banho e descanso para o jantar.
Nesta etapa não foram feitas tantas fotos, por causa da chuva, que perduraria até o dia seguinte.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

4. Dia Circuito Vale Europeu Cachoeira do Zinco a Dr. Pedrinho


Nesse dia uma caminhada cedo na fazenda até o local do café, que tinha horário. Foi até engraçado o sr. Egon passou na casa viu o carro, bateu e ninguém apareceu, devem estar dormindo ainda. Que nada já estávamos tomando um café da hora. Depois andamos até o topo da Cachoeira do Zinco para tirarmos algumas fotos.



Clique no slide para ver as fotos.

Voltamos para casa preparamos as bicicletas e tudo que sobe desce, e fomos para a base da cachoeira do Zinco, seguir o roteiro do dia. Após a descida foi um para cada lado procurar a estrada para a cachoeira. Eu peguei um caminho que sai a esquerda e passa a ponte e fui até uma casa que tinha um cachorro, e ele não era simpático. Foi mais ou menos assim,  quando eu me aproximava da casa ele latia tava dizendo "não é por aqui é pelo lado direito subindo o gramado, saia antes que eu te morda", como eu não entendia latido avancei um pouco e ele ficou esperando. Dei meia volta para ir embora e ele veio atrás querendo a minha canela até a ponte. Foi então que eu encontrei o Alan  e o carro de apoio que voltavam de outra propriedade, onde uma pessoa informou o local exato. Aí sim voltei a mesma casa de antes  e passei pelo gramado por fora onde estava o cachorro, que dessa vez nem ligou.
Estacionamos tudo e subimos até a cachoeira. Dessa vez não quiz tomar um banho, ainda mais que estava com uma sandália Timberland River Dog novinha, que diziam que serve para locais molhados, mas que escorrega tanto, que aposta corrida com roller. Vai ser devolvida. Muitas fotos, afinal chuvas na região deixaram um belo espetáculo das águas.
Depois de muita cachoeira, um piquenique, e saída para Dr. Pedrinho com um desvio para igreja luterana em estilo enxaimel, única no Brasil.  Na saída da igreja, umas fotos de longe e outra de um pé de pêra carregado ,sendo colhido por uma moça. Ao longo do caminho um pouco de descida próximo as madeireiras de pinus e eucalipto, que é o motor da região, pude ver paletes, caixaria e madeiras cortadas. Uma parada num recanto próximo ao rio, muito bonito. Mais um pouco e já estávamos na cidade de Dr. Pedrinho, num fim de tarde e junto a placa de final do 4. dia e inicio do 5. e já se poderia ver mais do roteiro seguinte. Chegamos então no hotel Negherbon. Os donos são simpáticos, o serviço é muito bom e tem a lavanderia incluída na diária. Aí tudo aquilo que sujou, molhou e não secou ao longo desses 4 dias, nesse hotel é a salvação, inclusive por causa da secadora. Nessa hora pensei porque não me molhei na cachoeira do Zinco.
Um pouco de papo com o pessoal do hotel, algumas piadas com os locais, tipo "a cidade é tão pacata que se pode ouvir as árvores crescerem". Dicas da cidade que tem outras atrações naturais fora do roteiro e que valem a visita. E final do 4. dia.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

3. Dia Circuito Vale Europeu Indaial-SC a Cachoeira do Zinco


O terceiro dia foi o mais rico em detalhes. Isso porque tornamos esse percurso assim. Normalmente ele tem somente 28,1 km e nenhuma subida. Mas nós queríamos a subida e a idéia era dormir na Fazenda Campo do Zinco por causa da famosa cachoeira do Zinco e aí são 600 m de desnível e 8 km de percurso.
Mas antes a saída de Indaial até Rodeio, um percurso tranquilo com um desvio até a ponte pêncil sobre o Itajai-açu que rendeu vídeos interessantes. No caminho até a  cidade de Ascurra tentamos o carimbo do passaporte na prefeitura mas era hora do almoço, e tocamos para Rodeio, chegando também na hora do almoço, aproveitamos para comer um pouco, afinal o que vinha pela frente exigiam reservas. Esperamos o horário da prefeitura, enquanto a bicicleta do Alan era consertada para centrar a roda, que estava torta, numa bicicletaria escondida atrás de uma casa perto do restaurante, que no próximo blog saberão o que aconteceu. Aliás não sei se entortou depois que eu avisei que o pneu tava baixo e isso pesava na pedalada e colocamos 40 psi (~2,8 kgf/cm2). Na prefeitura o secretário estava numa reunião e não tinha como carimbar os passaportes somente na cantina. Cantina? Da prefeitura? A cantina era a vinícola San Michele.
A partir dessa vinícola começa a parte rica do passeio. Na vinícola provas de vinho e espumante compras, e eu preocupado se o que subiria primeiro era o vinho ou todos nós na subida. E seguimos para a subida ou Caminho dos Anjos. O inicio da subida é também o início do 4. dia. Mas continuamos para dormir lá no alto perto da cachoeira.
Esse local seria ainda mais rico. Havia uma queijaria, a combinação perfeita depois da vinícola. Infelizmente nas chuvas em dezembro/2008, um morro desbarrancou levando a queijaria e a casa dos donos, vitimando-os, sobrando apenas seus dois filhos pequenos. No site do circuito ainda existem as fotos antes da trajédia.
Voltando ao caminho dos anjos comecei a contar até chegar no Cristo, para mim eram 10 pro Alan 11, a bem da verdade, nessa subida a questão de números sofrerá problemas, eu não marquei o quilômetro do inicio, depois não conseguia fazer as contas direito quanto tinhamos pedalado e quanto falta, 3+2 levava dois segundos para responder, era o teste da NASA.
Lembrei que na subida deixei tudo que era peso no carro portanto as fotos da minha câmera até lá foram feitas pela Andreia ou o Lucas no carro de apoio. Subimos 4 km pedalando até o Cristo.

Chegando ao Cristo tiramos fotos de tudo qualquer lado e o número de anjos lá era bem mais que 20. Aos poucos foi aparecendo um senhor que perguntamos "você mora aqui"? E ele respondeu algo parecido com  "não sou vizinho?", é claro.
Conversamos sobre a fatalidade dos donos da queijaria e aí vei a pergunta "qual seu nome?". Paulo, o artista dos anjos Paulo Notari de 80 anos, e foram várias estórias de vida. No total 54 anjos do homem considerado pelo guiness uma das 10 pessoas mais felizes do mundo.



Clique no slide para acessar as fotos.

Saindo do Cristo no caminho dos anjos o melhor seria empurrar a bicicleta morro acima, aliás pedalar na subida a 4 km/h é melhor empurrar. E eu pensando na oração do anjo da guarda. Nessa hora veio uma constatação, conversamos tanto com o sr. Paulo, que nem nós e nem ele, lembraram do carimbo no passaporte.
Seguimos até o próximo platô que é a subida para a fazenda Campo do Zinco, mais exatamente próximo ao desvio que dizia 8 km (17,2 km pedalados), seguimos e no inicio da próxima subida de 2 km e 200 m de desnível paramos e colocamos as bicicletas no carro para subir o morro até a casa da fazenda, localidade de Ipiranga, a chuva já ameaçava e não tinhamos tempo, porque o  jantar estava programada para ás 20:30 h, e "nem um minuto a mais". Depois da "janta" um espumante da vinícola San Michele para comemorar e dormir, porque o café da manhã tava programado para as 8:00 h e "nem um minuto a mais".

Detalhe: o senhor Egon proprietário da fazenda Campo do Zinco, colaborador e abnegado do Circuito Vale Europeu e sua esposa Margareth, apesar de toda agitação do final de ano fizeram questão de nos receber e é claro que em meio ao cansaço desse período nem sempre o humor é o mesmo, por isso o comentário "nem um minuto a mais" foi a minha parte irônica desse relato. Mas são um casal muito simpático e vale registrar que com eles o passeio tem mais riqueza .